Esse é o que tirei do texto do clemente nóbrega, do dia 12/maio.

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Interações de soma positiva são as mais interessantes e enriquecedoras , mas também as mais difíceis,dada a tentação da trapaça.Trapacear(trair) é tentador porque aparentemente traz um ganho maior.Mas isso é ilusório. Interações repetidas entre os jogadores acabam revelando que você é fraudador,e você perde.O caso Enron foi exatamente isso.
Robert Wright- autor especialista nesses temas – formulou, uma espécie de lei, que dá conta dessa dinâmica. Se você examinar a história a partir da vida pré-civilizada, vai notar um padrão. Há uma direção na seta da história.
A vida em sociedade, segundo Wright, evolui assim: aparecem novas tecnologias que viabilizam (encorajam) novas formas de interação não zero que são mais ricas, mais vantajosas, para quem as pratica. Em seguida, surgem estruturas sociais para tirar partido desse potencial que acaba convertendo situações soma zero em situações de soma positiva. Acaba-se percebendo que é melhor domar o instinto natural de querer “vencer” o “outro” , ou tirar vantagem, ou explorar-e passamos a cooperar com ele. Por interesse, claro.
Com o passar do tempo, esses relacionamentos tornam-se mais abrangentes, passando a envolver mais gente.Ficam mais densos e entrelaçados, e as pessoas se vêem cada vez mais imersas em redes de interdependência mais ricas. Eis a lei de Wright- (formulada do meu jeito, claro):
Tanto a vida orgânica (pense no DNA) como a história humana em geral, envolvem interações que evoluem de soma zero total, para somas cada vez mais não zero; mais positivas. A complexidade das relações em sociedade-relações que são cada vez mais numerosas e mais abrangentes- implica em interações não zero cada vez mais elaboradas.
É essa acumulação de jogos que acaba fazendo com que os interesses “egoístas” de bactérias (que isoladamente são predatórias e desinteressantes) acabem colaborando para formar ,células,que vão “coagular” para formar estruturas vivas.
Nós somos colônias de bactérias que resolveram colaborar (fundindo-se em células) porque “perceberam” que era vantajoso para elas fazerem isso.O mesmo ocorre com a complexidade social.
Do bando isolado e individualista de caçadores-coletadores, onde só tinha gente da mesma família (gente com os mesmos genes), para a aldeia, o reino, o país, o estado, o mundo globalizado.
A busca de interações não zero é o que define a seta da história, desde a sopa primordial da qual emergiu a vida até a Internet.
Isso quer dizer, nas palavras de Wright, que um fenômeno como a globalização, está “programado” há muito tempo. Não apenas desde e invenção do telégrafo ou do barco a vapor, nem mesmo apenas desde a invenção da escrita ou da roda, mas desde a invenção da vida.